Cooperativas reclamam de animais
mortos e restos de comida no lixo seco.
Isabella FormigaDo G1 DF
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Catadora de lixo mostra
macaco morto
encontrado em meio ao lixo reciclável
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As cooperativas de
material reciclável doDistrito Federal reclamam que, após o início da coleta
seletiva, há três semanas, as empresas responsáveis pelo serviço passaram a
entregar lixo orgânico como se fosse reciclado. As empresas recebem mais pela
coleta seletiva – R$ 176 por tonelada de lixo reciclável. Para o lixo orgânico,
o Serviço de Limpeza Urbana (SLU) paga R$ 68 por tonelada.
De acordo com as
cooperativas visitadas peloG1, até 80% do volume coletado contêm restos de
comida e animais mortos – já foram encontrados macaco, gambá, sapo, cobra e
cachorros em meio ao material que deveria ser reciclado. Até dois filhotes
vivos de gato foram retirados do lixo limpo.
O material orgânico
entregue nas cooperativas é coletado pelas empresas CGC, Quebec e Valor
Ambiental. Todo o resíduo é pesado e depois levado para 32 cooperativas
cadastradas no SLU. A Valor Ambiental não quis comentar o assunto. A Quebec
disse que apenas faz a coleta e atribuiu aos moradores a falta de separação do
lixo. O G1 não conseguiu contato com a CGC.
José Avelar mostra lixo
doméstico misturado junto ao da coleta seletiva (Foto: Isabella Formiga/G1 DF)
Se essa bagaceira que
trouxeram pra cá é coleta seletiva, eu não quero não. De 2.9 mil kg de lixo que
o caminhão deixou aqui, não sei se dá para aproveitar 400 kg”
Presidente da Cooaptiva,
José Avelar
O diretor do SLU, Gastão
Ramos, afirmou que as empresas que recolhem o lixo orgânico junto com o
reciclável estão sendo notificadas pelo órgão. Segundo ele, uma delas já foi
multada em 20% do valor do contrato. O diretor não disse qual foi a empresa
penalizada, nem o valor da multa.
Ramos disse que todo o
lixo orgânico despejado nas cooperativas é recolhido por um caminhão e levado
depois para o Lixão da Estrutural, onde os resíduos são novamente pesados.
Segundo ele, o peso é descontado do valor pago às empresas pela coleta
realizada de lixo limpo.
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Catadora mostra seringa usada encontrada junto ao lixo reciclável em cooperativa (Foto: Isabella Formiga/G1 DF) |
O diretor disse que a
mistura do lixo orgânico ao limpo é em parte culpa dos moradores do DF. “Isso
está acontecendo porque a própria população está colocando o lixo orgânico [no
lugar do reciclável]“, disse.
Ramos afirmou que as
empresas não têm deixado bilhetes para os moradores que não separam o lixo,
como ele havia afirmado que seria feito quando o serviço foi lançado.
“Começamos a fazer, mas a repercussão não foi boa”, disse. “[Havia] Muita gente
dizendo que as empresas não queriam trabalhar. Temos é que melhorar a
conscientização da população.”
Segundo ele, o SLU não
pretende multar quem não fizer a separação correta do lixo para não criar
“antipatia” com a população. Ele afirma que vai intensificar as campanhas de
publicidade para informar os moradores sobre como fazer o descarte correto do
lixo.
‘Decepção’
O presidente da Cooaptiva,
José Avelar, diz estar decepcionado com o material deixado pelos caminhões da
coleta seletiva. “Se essa bagaceira que trouxeram pra cá é coleta seletiva, eu
não quero não”, disse. “De 2,9 mil quilos de lixo que a coleta seletiva deixou
aqui, não sei se dá para aproveitar 400 quilos.Tem pó de café, resto de comida.
Nada disso a gente usa.” A cooperativa é formada por catadores e carroceiros
que coletam lixo reciclável no SIA.
O galpão do Centro de
Reciclagem do Varjão, que antes funcionava de espaço para as catadoras fazerem
a triagem do material seco para depois vendê-lo, foi tomado por uma montanha de
lixo. As trabalhadoras passaram a conviver diariamente com o chorume, o mau
cheiro e as moscas.
“Antes, apenas separávamos
os diferentes tipos de lixo reciclável para depois vender. Agora, gastamos
horas para encontrar algo aproveitável no lixo que chega nos caminhões”, disse
a catadora Sandra de Sousa Oliveira. “Chega lixo de cozinha, cocô de cachorro,
fraldas, restos de poda de jardim. Só semana passada chegaram três cachorros
velhos mortos. Até um sapo vivo dentro do saco.”
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Funcionários que trabalham para a coleta convencional recolhem lixo orgânico deixado pela coleta seletiva (Foto: Aldair Fernando/G1 DF)
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“Estamos muito
decepcionadas. Pensamos que ia ter mais renda, mas fez foi cair a renda.
Trabalhamos o dobro agora”, disse a catadora Jandira Rosa. “Isso diminuiu a
nossa renda. Antes, tirávamos até R$ 500. Agora, talvez R$ 250. Mas temos que
trabalhar. É o nosso sustento.”
Na semana passada, dois
caminhões do SLU estiveram na cooperativa para levar para o Lixão da Estrutural
resíduos orgânicos despejados junto com o lixo limpo. Ao mesmo tempo, um novo
carregamento de 1,5 tonelada de lixo misturado era despejado por uma das
empresas que faz a coleta. Outro carregamento de 1,8 tonelada, já havia sido
deixado pela manhã para as catadoras.
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Catadora segura filhotes de gatos encontrados em
lixo reciclável (Foto: 100 Dimensão/Reprodução)
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“Ninguém quer botar a mão
nisso aí”, disse a catadora Gabriela Rodrigues. “Nós não mexíamos com lixo.
Agora olha a situação.”
No Riacho Fundo, a
situação é a mesma. Na semana retrasada, a Cooperativa 100 Dimensão recebeu dos
caminhões da coleta seletiva um cachorro morto, uma galinha depenada e dois
filhotes de gatos, ainda vivos. O local também estava tomado pelo mau cheiro e
pelo lixo.
“Isso nunca foi assim.
Nunca tivemos que mexer no lixo orgânico”, disse a presidente da cooperativa,
Sônia Maria.
Enquanto a reportagem
esteve no local, um caminhão da coleta seletiva despejou dezenas de sacos de
lixo no terreno. Ao constatar que a maior parte dos resíduos era orgânico, a
presidente exigiu que o motorista levasse de volta o lixo. O motorista, no
entanto, foi embora sem dizer nada. Pouco depois, um caminhão da coleta
convencional passou na cooperativa para levar o lixo orgânico, que já havia
sido descartado pela catadora.
“A gente já faz nossa rota
e depois tem que vir buscar o lixo que a coleta seletiva traz”, disse o
motorista, que não quis se identificar.
Fonte: G1
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Fonte: Blog do Cafezinho.